Tudo o que você precisa saber sobre o iTunes Match

No dia 14 de Novembro a Apple atualizou o iTunes para a versão 10.5.1. A novidade dessa versão foi habilitar o iTunes Match. Bem, isso vale para usuários Norte Americanos ou para os felizardos que tem um cartão de crédito gringo, ou uma amiga bacana (como eu tenho) que liberou seu cartão e endereço (o velho truque de usar Gift Card na iTunes Store, não rola para o Match, que pede um cartão físico :( ).

E que diabos é o iTunes Match? Bem a gente já acostumou a usar a nuvem para emails como GmailYahoo!, etc. Usamos para contatos no MSNSkypeGtalk, etc. Armazenamos na nuvem nossas fotos no Flickr, nossos vídeos no Youtube e nossos arquivos em soluções como Dropbox e Backblaze. O iTunes Match é a solução da Apple para deixarmos nossas coleções de músicas na nuvem, no caso, na iCloud.

A grande vantagem de usar a nuvem é ter suas músicas disponíveis em qualquer lugar, sem precisar se preocupar em fazer back-ups. Com ela, um iPhone, ou iPod, pequeno de 8Gb, ganha a possibilidade de “armazenar” toda a sua coleção de dezenas de Gigabytes. Assim, se bater aquela vontade repentina de ouvir uma música antiga, tipo, um Pagode ou Axé que há muito tempo não frequentava seu iPod (todo mundo tem esqueletos no armário), basta seleciona-la e e, se você estiver com acesso a internet, ela toca quase instantaneamente. A partir da segunda música o play é imediato.

Um efeito colateral positivo do iTunes Match é que, para a Apple não precisar armazenar uma cópia de cada música sua, ela varre a sua coleção toda antes e fazer o “match” entre os seus arquivos e o catálogo da iTunes Store (cerca de 20MM de músicas). Assim, além da Apple não precisar guardar uma cópia extra de cada arquivo de uma música que ela já tem, o usuário não precisa fazer upload desses arquivos também. O que diminui bastante o tempo de upload.

Outra coisa legal, para mim uma das mais legais, é que se a Apple fizer o match num arquivo seu, não interessa como você obteve esse arquivo, se foi via rip de um CD seu, se de um amigo, se da internet, se de outra loja online etc. Desde que sua música tenha, no mínimo 96kbps, a Apple oferece a você um arquivo sem DRM (sem restrições contra cópias) e com 256kbps (que é a mais alta qualidade oferecida pela iTunes Store). Para mim só isso já vale os $24,99 anuais do iTunes Match.

Já, para os arquivos que a Apple não encontrar cópia no catálogo deles, você deverá deixar que o programa faça o upload para a nuvem. Assim que esse processo terminar, todas as suas músicas estarão seguras e disponíveis no iTunes Match. Permitindo que você as ouça pela internet, ou mesmo as baixe a qualquer momento.

Vou contar um pouco da minha experiência em começar a usar o iTunes Match.

Passo 1: habilitar

O iTunes Match aparece como uma opção acima das suas playlists, assim que você atualizar o iTunes para a versão 10.5.1. Quando eu cliquei nele pela primeira vez, a Apple se recusou a habilitar o serviço, pois minha coleção de músicas tinha mais de 37 mil arquivos. O limite atual do iTunes Match é de 25 mil músicas não comparadas na loja da Apple. O que deve atender a grandíssima maioria da população, mas que ferra os heavy users. Há expectativas que a Apple aumente o limite no futuro.

Depois de muito fuçar na web achei uma solução que me pareceu a melhor (não, apagar 12 mil músicas não era uma alternativa!): Primeiro você deve selecionar todas as músicas que você menos ouve, menos gosta, ou que acha que terão poucas chances de serem “matcheadas” pela Apple. Algo como aquelas suas trilhas sonoras do festival de cinema do Butão, ou hits do Tiririca. Com as músicas selecionadas, você deve alterar seus tipos, de música, para algo como Podcasts, ou Audiobooks. Assim, eles não contam mais no limite de 25 mil. Faça isso apertando CMND+I (no Mac) ou CTRL+I (no Windows), clique em opções e altere o tipo de mídia de música para outro de sua preferência (eu usei Podcasts e todos seus tags, notas e metadados são mantidos).

Com menos de 25 mil músicas na biblioteca habilitei o iTunes Match, fornecendo o cartão de crédito de uma amiga com endereço gringo e deixei a mágica começar.

O iTunes começou a varrer minha coleção e mandá-la para a nave mãe. Depois ele faz o match e as que não localizou versão na Apple, começou a fazer o upload imediatamente. No meu caso, com aproximadamente 23mil músicas o iTunes encontrou 17 mil matches. 3 dias depois o processo de upload ainda não acabou pois são 6 mil músicas para subir. Mas a primeira parte deve ter consumido algo entre 1 e 2 horas entre apertar o start e o processo de matching ser concluído.

Vale ressaltar que o iTunes não vai subir arquivos duplicados, nem vai subir arquivos com erros, ou que tenham menos de 96kbps (eu tinha 1.300 desses últimos). O que fiz foi converte-los para AAC com 256kpbs no próprio iTunes, apagar os originais e pedir para o Match fazer nova tentativa. 100% de sucesso. :)

Passo 2: Usando o iTunes Match

Depois de você subir todos os seus arquivos para Apple, fica a seu critério se você quer apagar os originais, ou não. Você poderá baixá-los novamente a qualquer momento. Os que foram matcheado” serão baixados no formato AAC em 256kbps sem DRM. Os que não foram matcheados serão baixados exatamente como subiram.

Se você apagar os arquivos da sua máquina eles aparecerão com uma nuvenzinha ao lado deles, indicando que estão no iCloud Se clicar na nuvem a música é baixada. Se você apertar play, será necessário estar online, pois a música virá via streaming. Ou seja, mesmo que você a ouça uma vez, para ouvir de novo, deverá estar online. O mesmo não é verdade nos dispositivos iOS. Neles assim que você ouvir a música uma vez, ela fica disponível localmente.

Para habilitar o iTunes Match no seu iPod, iPad ou iPhone, vá em Settings/Music e ligue o iTunes Match (é a primeira opção). Não se assuste com a mensagem de que isso apagará suas músicas locais. Isso só acontecia no beta. Como não apaga nada, você pode seguir usando seu iPod/iPhone/iPad normalmente e todas as músicas que estavam lá, continuarão nele. Aliás, se você não selecionar a próxima opção (Show All Music), você só verá as músicas que estão armazenadas no dispositivo. Se ligar essa opção aí sim, terá acesso a toda a sua coleção de músicas que está na nuvem!

Todo metadado alterado num dispositivo é automaticamente atualizado para todos os dispositivos conectados a sua conta no iTunes Match (podem ser até 10 dispositivos). O playcount, ranking, até mesmo Playlists que você criar, ou editar são atualizadas em tempo real em todos os aparelhos. Muito bom.

Com uma conexão Wifi ou mesmo 3G decente é possível curtir suas músicas sem delay (pena que não temos 3G decente no Brasil, mas quando chegar o 4G, vamos estar com velocidades 3G bacanas!).

Agora é só curtir sua coleção de músicas completa onde quer que você vá.

Abaixo listo algumas dicas:

• Cuidado com o shuffle. Se você der um shuffle com o iTunes Match agora, estará dando shuffle em TODA a sua coleção. Local, ou na nuvem. Algumas horas de shuffle na sua conexão 3G podem estourar a sua franquia de dados mensal facinho facinho.

• Se o iTunes não reconheceu todas as suas músicas na primeira tentativa, tente de novo. Numa segunda tentativa ele normalmente acaba encontrando outras. Se não deu certo, aí parta para a edição de tags. Se suas músicas estão com “Álbum Desconhecido” e organizadas como “Track 01”, Track 02” etc, isso dificulta o processo. :)

• O iTunes Match não altera seus tags, nem a imagem de seu Álbum. Isso tem o lado bom e o lado ruim. Mas foi feito para que assim, aqueles usuários que gastaram horas editando suas tags, não joguem seu trabalho fora. Eu creio que no futuro isso poderá ser customizado.

• O iTunes Match não sincroniza Playlists que mencionem outras Playlists. Ou seja, uma lista chamada “melhor que surdez” que seja composta por referências a outras playlists como “Axé Hardcore”, Funk Total” e “Chorinhos Gospel” será marcada com o símbolo de uma nuvem com um traço no meio.

• Músicas baixadas no seu dispositivo iOS podem ser facilmente apagadas agora da mesma forma que se apaga um email. Passe o dedo e aperte deletar.

• Se você quiser que sua coleção seja acessível de outro computador, criei uma nova biblioteca no iTunes do zero e vincule a sua ID da Apple usada no iTunes Match. Aí, selecione todas as músicas e mande baixar todas (assumindo que você as queira localmente). Para evitar que as pessoas façam isso o tempo todo, baixando em suas máquinas/iPads/iPods/iPhones coleções inteiras de amigos, a Apple instituiu um prazo de 90 dias de conexão mínima. Se você vincular uma máquina a uma conta do iTunes Match, só poderá vincular outra conta, 90 dias depois. Ainda assim é possível baixar toda a coleção de uma pessoa para outra. mas isso é ilegal viu? Sem contar que os arquivos que você baixou são “trackeáveis” de forma a identificar o seu usuário. Quer arriscar?

Ahhh, caso não tenha ficado claro, iTunes Match só vale para músicas. filmes, livros, programas de TV não sobem para a nuvem.

12 lições que Guy Kawasaki aprendeu com Steve Jobs.

  1. Experts não sabem de nada: “Experts — jornalistas, analistas, consultores, banqueiros e gurus não conseguem ‘fazer’, então eles ‘aconselham’. […] Ouça o que experts têm a dizer, mas nem sempre preste atenção a eles.”
  2. Os clientes não podem te dizer o que eles precisam: “Se você perguntar o que os clientes querem, eles vão dizer ‘Melhor, mais rápido e mais barato’ — isto é, uma mesmice melhorada, e não mudança revolucionária.”
  3. Salte para a próxima curva: “Grandes vitórias vêm quando você vai além da mesmice melhorada.”
  4. Os maiores desafios dão origem aos melhores trabalhos: “Eu e empregados da Apple antes e depois de mim demos o nosso melhor porque tínhamos que fazer o melhor trabalho possível para superar os maiores desafios.”
  5. O design conta: “Steve deixava as pessoas doidas com seus pedidos de design […]. Steve era um perfeccionista desses — um perfeccionista Além da Cúpula do Trovão — e ele estava certo.”
  6. Gráficos e fontes grandes não têm erro: “Dê uma olhada nos slides do Steve. […] Olhe para os slides de outros apresentadores de tecnologia.”
  7. Mudar de idea é um sinal de inteligência: “Quando a Apple vendeu o iPhone pela primeira vez não havia algo como apps. […] [Web] apps no Safari era a única saída até seis meses depois, quando Steve decidiu, ou alguém o convenceu de que apps era a rota a se seguir.”
  8. “Valor” é algo diferente de “preço”: “Preço não é tudo o que importa — o que é importante, pelo menos para algumas pessoas, é o valor. E valor leva em conta o treinamento, o suporte e a alegria intrínseca de usar as melhores ferramentas que há.”
  9. Jogadores nível A contratam jogadores nível A+: “É evidente, porém, que jogadores nível B contratam jogadores nível C […] para se sentirem superiores a eles. Se você começar a contratar jogadores de nível B, espere pelo que Steve chamava de ‘explosão de palhaços’ na sua organização.”
  10. CEOs de verdade demonstram: “[…] por que é que tantos CEOs chamam o vice-presidente de engenharia para fazer o demo de um produto? […] É mais provável que seja porque o CEO não entende o que a companhia dele faz bem o bastante para conseguir explicar. O quão patético é isso?”
  11. CEOs de verdade vendem: “Mesmo com todo o seu perfeccionismo, Steve conseguia vender. […] A Apple é uma empresa centrada em engenharia, não uma centrada em pesquisa.”
  12. Marketing se resume a prover um valor único: “[…] o iPod era único e valioso porque ele era a única forma de baixar músicas das seis maiores gravadoras de forma legal, barata e fácil.”
  13. Bônus! Algumas coisas, é preciso crer para ver: “Quando você está saltando curvas, desafiando ou ignorando experts, encarando grandes desafios, se debruçando sobre design e pondo foco em valor único, você precisa convencer as pessoas a acreditar no que você acredita para que seus esforços gerem frutos. […] Nem todo mundo vai acreditar — mas tudo bem. O ponto inicial da mudança, porém, é fazer algumas poucas cabeças mudarem de ideia. Essa é a maior lição de todas que aprendi com o Steve.”

Dessas lições, eu diria que a que mais me afetou foi a de saltar para a próxima curva. Quando vi pela primeira vez um MacBook Air saindo de um envelope, eu percebi que havia algo de especial na Apple: como é que nenhuma dessas fabricantes de PCs danadonas conseguia fazer algo como aquele notebook finíssimo? E como é que elas ainda não conseguem? Hoje a resposta me é bem evidente: enquanto todo mundo em campo se preocupava em correr para onde a bola estava num dado momento, Jobs corria para onde a bola ia estar. E como ele sabia aonde ela estaria? Simples: ele era o único que chutava pro gol, enquanto todo mundo se contentava com o meio de campo.

Qual dessas lições você acha que foi a mais importante? Há alguma que você gostaria de acrescentar? :-)

INFOGRÁFICO | STEVE JOBS

Morre Steve Jobs…

 

 

 

 

 

 

 

Certa vez vi o comentário de um analista sobre a crise americana e a ascensão da economia chinesa.

 

Ele dizia que os Estados Unidos permaneceriam sendo a grande potência econômica por sua capacidade de criação, enquanto a China estaria sempre satisfeita em copiar. O mundo é de quem cria, dizia ele.

 

Como se as maiores invenções da humanidade  não tivessem sido criadas na china.

 

E como se a transformação de uma economia agrária na maior potência industrial do planeta a partir da incorporação da capacidade produtiva dos países ricos que desejavam se livrar dos “transtornos” dos trabalhadores operários não fosse uma criação ou recriação em si mesma.

 

Mas os EUA acabam de perder o maior empresário dos últimos anos, Steve Jobs.

 

A morte prematura deste talentoso executivo causa perplexidade, principalmente porque ela ocorre justamente nos piores dias da economia norte-americana desde a crise de 1929.

 

Se muitos comentam a possível queda da hegemonia estadunidense, a perda do maior nome da criação industrial deste século certamente deixa um vazio ainda maior na maior economia global.

 

Enquanto muito se discute sobre a crise econômica mundial, fica claro que esta moléstia somente poderá ser superada caso haja uma solução para a crise política nos países ricos.

 

Steve Jobs foi mais que um empresário, foi um líder que inspirou toda uma geração em um mundo escasso de estadistas.

 

O governo Bush foi uma tragédia, principalmente para os próprios Estados Unidos. Barack Obama, até então, tem sido uma imensa decepção. Ele e os principais líderes europeus estão perplexos tentando se safar de uma quebradeira geral, mas sem coragem para transformarem as bases da economia neoliberal que deteriora o capitalismo global.

 

O cenário é horroroso porque a oposição aos atuais governos, em sua grande maioria, é composta por políticos ainda mais conservadores e míopes.

 

Enquanto Jobs criava, a economia do atlântico norte se organizava (ou se desorganizava) com executivos planilheiros capazes apenas de cambiar papeis, títulos e ações. Levantar mais e mais capitais sem que houvesse uma equivalência deste montante em produção e trabalho. Valia de tudo na farra especulativa. Balanços falsos e muito dinheiro dos governos para cobrir o rombo dos yuppies canalhas e incompetentes.

 

As criações de Steve Jobs garantiram o crescimento econômico asiático onde as mercadorias eram produzidas. Para Estados Unidos e Europa, os trabalhadores industriais tornaram-se um gasto desnecessário. Trabalhadores reclamam, fazem greve, se aposentam e pedem garantias demais.

 

Não é difícil entender porque durante a era Jobs foi cavada uma profunda cova pelos financistas neoliberais que torna tão difícil a recuperação nestes países onde  a renda do trabalhador está achatada e o mercado financeiro represa as riquezas.

 

Num mundo tão opaco de estadistas não é de se surpreender que a perda de um empresário cause tanta comoção mundial.

 

O criador se foi. Agora restam os pragmáticos especuladores.

 

 

 

 

 

 

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