QUER SER DIRETOR?

Este artigo foi escrito por um jovem executivo de 26 anos, que trabalha para uma empresa americana na área de Internet para celular, exercendo o cargo de diretor. Aqui ele conta um pouco da sua experiência e de como conseguiu alcançar cargos elevados com tão pouca idade.

Acompanhe.

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Nada melhor do que, depois de um árduo dia de trabalho, descansar em seu quarto de hotel, olhando as ondas do mar ou aproveitando uma banheira de hidromassagem, enquanto o seu jantar (um arrojado fricassé de faisão com deliciosas noisettes de legumes e envolto em delicadas bertalhas com creme fresco de mangerona italiana está sendo preparado e logo será trazido pelo garçom. E aí? Você gostaria de viajar às custas da empresa em que trabalha? Hospedar-se nos melhores hotéis? Jantar nos melhores restaurantes? E ainda ser muito bem pago para isso? Se sim, então prepare-se para a batalha! Você terá que galgar cargos de diretoria. O primeiro ponto é se imaginar como um executivo. Visualizar-se viajando para reuniões, tomando decisões e visitando clientes. Todos os nossos sonhos e aspirações surgem antes em nossas mentes e somente depois se consubstanciam no mundo real. Por isso, visualize! Imagine a sua sala, o seu local de trabalho, o prédio da empresa, os elevadores e a sua secretária. Saboreie a situação. Por muitas vezes, além de imaginar, fui a lugares semelhantes com os que sonhava para apreciar e fortalecer minhas projeções mentais. O segundo ponto é tentar iniciar a sua carreira em empresas de grande porte, de preferência multinacionais. Essas empresas, em geral, não são as que oferecem, inicialmente, os melhores salários, mas resista à tentação. Essas empresas investem muito em capital intelectual. Aproveite ao máximo os cursos, treinamentos e, principalmente, a oportunidade para expandir a sua rede pessoal de contatos. A rede de contatos será vital no decorrer de toda sua carreira. Não cometa o erro de mudar para uma empresa menor apenas para ganhar 300 ou 400 reais a mais. Um bom começo seria um estágio nessas grandes organizações. O terceiro ponto é se tornar um grande investidor. Eu mesmo não sou um bom investidor. Não me arrisco de forma alguma no sobe e desce das bolsas de valores. Então, o melhor é investir no único ativo de retorno certo: você! Faça MBA, mestrado, doutorado, leia jornal, revistas, assine revistas virtuais, ouça rádio, leia livros de auto-ajuda, ou seja, tenha interesse por tudo e por todos. Devore informações de todos os tipos e gostos. Esteja preparado para falar sobre a missa do Papa no domingo de Páscoa, sobre a fraude no painel eletrônico do Senado, sobre a presença do Brasil na Alca ou sobre o artilheiro do campeonato de várzea da sua cidade. Repare que nem falei dos idiomas. Isso já é assunto do passado! Para cargos de gerência em multinacionais, não há como escapar. A entrevista será feita em inglês ou espanhol… Bom, depois disso tudo, é hora de ir para a entrevista de emprego. Deixaremos o currículo para cargos de alta gerência para uma outra oportunidade. As entrevistas para estas posições exigem uma atenção especial. Não podemos nos esquecer de que o diretor possui uma aparência-padrão já esperada pelas empresas: cabelo curto com algumas mechas brancas nas laterais e casado. Essa é, sem dúvida, a maior dificuldade que nós, jovens, enfrentamos. Portanto, somos obrigados a sermos duas ou três vezes melhor do que os candidatos já esteticamente padronizados. E nesse jogo vale tudo! Vou confessar: por várias vezes até deixei a barba crescer antes de uma entrevista para fantasiar uma aparência mais adulta. O estilo e mentalidade da empresa serão fundamentais na decisão final. Multinacionais americanas do ramo de Tecnologia da Informação são as mais receptivas ao fato. O linguajar usado deve ser o mais culto possível. Nada de “A informação é o que tem de mais importante para as companhias”.Diga “A informação está no âmago da elaboração de estratégias de negócios para as organizações”. Repare que é a mesma informação, vestida de uma forma mais elegante. O vestuário é o sustentáculo visual de tudo o que vai ser discutido na entrevista. Você não terá duas chances para causar a primeira boa impressão. Na dúvida, use sempre o bom e velho estilo: terno preto ou azul. Vale a pena destacar a negociação com japoneses. Eles são realmente formais! Neste caso, o terno deve ser imprescindivelmente da cor escura e perfume nem pensar. Além disso, atenção para a troca de cartões de visitas. Quando um deles lhe oferecer o cartão, segure-o firmemente com as duas mãos, agradeça-o e coloque-o em uma posição de destaque na mesa onde está acontecendo a entrevista. Ao sentar e cruzar as pernas, nunca mostre a sola do sapato. Isso é uma afronta das mais graves. O salário? Eu já fui vítima desse erro. Uma boa dose de auto-estima não faz mal a ninguém. Pedir um salário muito baixo será como se apunhalar pelas costas. As empresas brasileiras estão desesperadas na busca de líderes, figuras em extinção que são capazes de arregimentar multidões para a conquista de objetivos. As grandes organizações, quando acham o candidato certo, não se preocupam com o salário que ele pedirá. Bônus anuais e stock options fazem parte da negociação. Seja perspicaz, criativo, estude muito, prepare-se com vontade e, em pouco tempo, você adqurirá confiança, estabilidade e desembaraço suficientes para participar de um processo seletivo para cargos de gerência. Não tenha dúvidas de que todo o esforço é compensador e aí, quem sabe, você pode estar desfrutando um arrojado fricassé de faisão, com deliciosas noisettes de legumes.

Sucesso!

Planejamento estratégico de TI

Pessoal,

dias atrás eu recebi um e-mail de um colega perguntando a minha opinião sobre quais os motivos pelos quais o planejamento estratégico de TI não é efetivo. Esse é um excelente questionamento e que possui diversos aspectos e que, na minha opinião, estão ligados mais aos aspectos conceituais e comportamentais. Seguem abaixo o que considero serem os motivos para difilculdade de emplacar um planejamento estratégico eficiente de TI:

- Foco excessivo no lado lógico: Penso que a área de TI, pelo seu próprio perfil, tem dificuldade de lidar com assuntos conceituais e abstratos. Prefere que tudo tenha uma lógica e um padrão. O problema é que quando lidamos com estratégia estamos falando de assuntos conceituais, abstratos e, principalmente, não lineares. O papel do estrategistas é justamente destruir padrões, enquanto o pessoal de TI tentar MANTER os padrões. Lembrando que Padronizar é a tentativa de simplificar algo que é complexo;

- Foco excessivo em processos: TI investe muito na implantação de modelos de maturidade reconhecidos pelo mercado como CMMi,ITIL e PMI, mas deixa de lado o desenvolvimento de competências comportamentais como visão sistêmica, comunicação, negociação e liderança de equipes. Existe até um modelo de maturidade especifico sobre desenvolvimento humano em TI que se chama PMM (People Maturity Model), mas é pouco referenciado e implementado em empresas de TI. Outro aspecto é que os processos, pregados pelos modelos de maturidade acima citados, são muito mais utilizados com viés de proteção do que para aumentar produtividade;

- Falta de foco no Cliente, falta uma aproximação maior da realidade do cliente e a tentativa de entender a experiência do cliente no contato com a tecnologia. A TI trata o cliente como simples usuário;

- Enfase excessiva em Análise : Nada mais justo que o profissional de TI foque em análise. Análise significa dividir um problema em pequenas partes e analisar cada problema separadamente. Já o estrategista procura juntar as partes e analisar como essas partes se relacionam, combinam e interagem. O objetivo é ver como elas se integram e se houver uma mudança em alguma das partes, qual a consequência para o sistema como um todo;

- Falta de constância de propósitos: Apesar de todos na área de TI terem consenso sobre a necessidade de ter um plano e procurar segui-lo, ao menor sinal de problemas ou de mudança de ventos, volta-se ao modelo anterior. Isso é fruto de uma cultura que valoriza mais as pessoas que apagam incêndios do que aquelas que evitam que os incêndios apareçam. Já ouvi de profissionais de TI que eles gostam e preferem viver perigosamente, que gostam de serem chamados para resolver algo na última hora;

- TI cresceu muito rápido em muito pouco tempo: Se pensarmos TI, como ela é hoje, ela existe desde meados da década de 90. Tudo isso cresceu de forma vertiginosa e seguindo a lei de Moore (a cada 18 meses dobra-se a capacidade armazenamento e processamento dos computadores). O problema é que esse crescimento ocorreu sem o amadurecimento correto.

Essas são algumas das razões que identifiquei logo de imediato. De todos os que relacionei, o que considero mais grave é a falta de constância de propósitos. Não existe gestão estratégica se não houver constância de propósitos. É claro que a mudança é cada vez mais frequente e isso pode levar as pessoas a questionarem a necessidade do planejamento estratégico. Esse tipo de pensamento é errôneo, pois é justamente pelo fato de a mudança ser cada vez mais frequente é que precisamos de um planejamento estratégico para criar uma identidade, facilitando o auto-conhecimento da organização de TI, além de ser um facilitador do processo de tomada de decisão na empresa.

Como esse é um assunto complexo, e que não se encerra nas razões que apresentei acima, deixo o espaço aberto para que vocês leitores deixem sua opinião na área de comentários.

Um abraço.

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