Quanto pesa o carro no orçamento doméstico?
8 de fevereiro de 2011 Deixe um comentário
Com mais facilidades de crédito para a compra do carro, o consumidor anda se esquecendo de que este bem de consumo representa gastos ao longo do ano que precisam ser colocados no papel. Quem faz o alerta é a consultora Márcia Dessen, para quem o carro pode ser o grande vilão do orçamento doméstico. Márcia é uma planejadora financeira certificada CFP®, sócia do BMI (Brazilian Management Institute) e professora convidada da Fundação Dom Cabral.
Por quê? “Um pesquisa feita recentemente mostrou que pessoas gastam com carro entre 15% a 20% do orçamento, muitas vezes chegando a 40%”, revela Dessen. O que espanta é que trata-se de uma despesa sem registro, ou seja, o consumidor não tem consciência de que o automóvel está levando boa parte do seu salário. Numa conta superficial, a pessoa aponta o gasto de gasolina mensal, seja para ir ao trabalho ou fazer pequenos deslocamentos. “Mas se esquece do que gasta com estacionamento, pedágio, e o que representam o seguro do carro, o IPVA e a manutenção”, explica.
Se somados todos estes gastos e o resultado for dividido pelos doze meses do ano, o consumidor irá se surpreender. Márcia explica que, naturalmente, ter um carro tem seus benefícios, mas que o alerta é importante porque a pessoa pode se dar conta que dá para viver sem carro.
Carro não é investimento
Dessen chama a atenção para outro ponto importante na hora de adquirir um carro. “Muitas pessoas não gostam de aplicar em ações por temer os riscos. Mas jamais se questionam quando saem da concessionária com um carro que já perde 15% do seu valor naquele momento”, diz. Ou seja, você lança mão de uma quantia significativa da poupança e deposita em um ativo que se deprecia rapidamente. A situação é pior se o consumidor é daqueles que trocam o carro anualmente. Segundo Márcia, o carro “precisa lhe servir por pelo menos cinco anos, o que vale o aporte de dinheiro que você fez”.
Por fim, mas não menos importante: as cidades estão lotadas de carros, os congestionamentos são cada vez maiores. Pode parecer pouco, mas o ar que respiramos agradece quando há menos um carro na rua. A consultora também aconselha a pesquisa sobre gastos com táxi e transporte público durante o ano, o que pode ser vantajoso em alguns casos. Quem tem o carro apenas para viagens de final de semana, tem a opção do aluguel. Hoje, a partir de R$ 60 por dia é possível alugar um carro. “Isso tudo é muito importante para quem está numa situação de dívida e precisa fazer as pazes com o dinheiro. Vender o carro é uma estratégia muito legal, você coloca algum dinheiro no bolso, quita as dívidas, reduz a despesa mensal e vai descobrir que ficar sem carro por um tempo não é o fim do mundo”, conclui a consultora.
Razões para ter um carro
Conforto e comodidade
Viagens nos fins de semana
Buscar os filhos na escola
Ter liberdade para ir aos lugares na hora em que quiser
Razões para não ter um carro
Consumir 20% a menos do orçamento doméstico
Colaborar para poluir menos a cidade
Não gastar tempo para achar onde estacionar, nem dinheiro com estacionamento.

